sábado, 25 de junho de 2011

Ao sétimo dia, descansámos... E vimos que tudo era bom!

Bem... "descansar" não significa que tenhamos ficado a preguiçar! Significa apenas que não percorremos dezenas de kms a pé! ;o) E também que nos levantámos uma horinha mais tarde que o costume, ou seja: às sete!
Tínhamos de apanhar o comboio para Vigo às 14h30, por isso queríamos aproveitar ao máximo as últimas horas em Santiago... e "aproveitar" significou sobretudo três coisas: ir dar o abraço à estátua de São Tiago que se encontra por cima do altar-mor da Catedral, ir à Missa do Peregrino e despedirmos-nos dos nossos companheiros de Caminho... Três coisas muito especiais...
O abraço é uma tradição que todos os peregrinos cumprem, um gesto exterior que pretende demonstrar um encontro que já se deu no nosso íntimo. Quanto à missa do peregrino, é uma celebração muito forte. A Catedral estava a abarrotar com peregrinos e mochilas e, antes de começar a eucaristia, o padre enumerou todos os países de origem dos peregrinos que tinham chegado ontem. Vieram pessoas de todo o mundo, da  Austrália aos Estados Unidos, e nós lá estávamos a representar Portugal... No fim, foi acendido o turíbulo gigante (conhecido por botafumeiro) e balançado por cima das nossas cabeças, de um lado ao outro da Catedral... O fumo do incenso, que subia para o tecto, simbolizava a subida para Deus das orações de todos o peregrinos ali presentes...
Depois, foi o momento das despedidas... Quase todo o "grupo" tinha ido à missa e trocámos os contactos ali mesmo, na esperança de poder manter os laços que numa semana criámos e fortalecemos quase sem dar conta. E foi difícil dizer adeus, aos nossos companheiros e a Santiago de Compostela... Foi difícil partirmos quando ainda nos sentíamos a chegar. Mas já no comboio, à medida que íamos percorrendo ao contrário o caminho que fizemos ao longo destes dias, fomos aceitando a despedida e tomando consciência de que o Caminho de Santiago foi apenas uma parte deste Caminho maior que continuaremos a percorrer, por onde quer que passemos. E tomando consciência também de duas aprendizagens muito importantes que levamos para casa:

- Na nossa bagagem, colocamos muitas vezes coisas a mais. Isso acontece a imensos peregrinos que fazem o Caminho, e que acabam por ter de enviar algumas dessas coisas por correio de volta para casa, pois percebem que não conseguem caminhar com tanto peso... E na vida acontece o mesmo. Queremos ter tantas coisas que não só não nos fazem falta, como às vezes nos impedem de sermos felizes. Podemos fazer o Caminho, e podemos encontrar a felicidade na nossa vida, com muito pouco. E ser ainda mais felizes partilhando esse pouco!

- Nunca estamos sozinhos. Ao longo do Caminho, íamos encontrando outros peregrinos... E não houve um único que não nos cumprimentasse... Muitos deles perguntavam se estávamos bem, com um interesse verdadeiro de quem se sente nosso irmão e se preocupa connosco. Nós fazíamos o mesmo... E também nas nossas vidas é assim. Fomos feitos para nos amarmos uns aos outros, para vivermos em comunhão, e mesmo que nos sintamos sozinhos... Deus nunca nos abandona e encontra sempre maneira, com as suas "deuscidencias", de nos mostrar isso.

2 comentários:

  1. Duas (lá está!!!) lições, depois da coragem e alegria de partir (também é preciso!).
    Obrigado, Paz e Bem

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  2. Pois e, por vezes andamos marrecos de tanta bagagem quase toda desnecessaria,o peso e tanto que quase nem olhamos para o nosso lado so conseguimos olhar para dentro, se conseguissemos olhar mais para o nosso redor conseguiriamos seguir muito mais direitos e felizes por certo e nunca nos sentiriamos sos.
    Beijocas
    Pai

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